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Ética no ambiente do trabalho

  Márcia Cristina Gonçalves de Souza*

Buscando assegurar a sustentabilidade, milhares de empresas estão investindo em ações destinadas à preservação do meio-ambiente, como o tratamento do lixo, a utilização racional de materias e de energia, além da  qualidade de seus produtos. Esses investimentos estão alinhados com a criação e manutenção da imagem de empresa ética.

No que se refere à etica propriamente dita, os investimentos estão sendo direcionados não apenas às ações de marketing, como também nas ações internas, especialmente na criação de Comitês e Códigos de Ética.

Entretanto, está faltando investir junto ao segmento mais importante:  os colaboradores da empresa. É preciso investir no desenvolvimento da consciência ética junto às pessoas que trabalham na empresa e que são, portanto, as pessoas que a representam. Uma empresa só será realmente ética se contar com o trabalho de pessoas comprometidas com a ética. Afinal, são as decisões e atitudes de cada colaborador que constroem a história e que dão vida à empresa.

Esta é uma necessidade latente que ainda não foi devidamente percebida pela direção da maioria das empresas. O custo invisível que condutas antiéticas representam estão interferindo nos resultados dos negócios e na lucratividade porque ainda não foi dada a devida importância ao fomento da noção de conduta ética alinhada com a visão e os valores que precisam ser seguidos e respeitados por todos.

A concepção pessoal de cada colaborador, pode variar conforme a formação, a cultura, o caráter e as vivências individuais. A ética é flexível, portanto, pode variar conforme a cultura, a origem, a vivência e o ponto de vista de cada indivíduo.

Sendo assim, diferentes interpretações de conteúdo e análises de situações cotidianas do trabalho, comumente dão origem a decisões não alinhadas com o ideal de comportamento ético percebido pela direção.

Atitudes impensadas podem gerar grandes prejuízos, destruir a reputação da empresa e/ou a carreira do empregado. Portanto, é recomendável e justo que as empresas procurem reduzir esse risco dando oportunidade a seus colaboradores de conhecer a cultura corporativa desde o momento da admissão no emprego.

Embora seja praticamente impossível controlar a conduta ética de cada colaborador, é fundamental esclarecê-los a respeito da linha de conduta considerada adequada pela empresa. Trata-se, inclusive, de uma atitude de lealdade da administração para com seus colaboradores, já que é justo que eles sejam alertados de forma clara, consistente e contínua sobre os tipos de conduta serão ou não aceitos, impedindo assim que haja erros provocados por desconhecimento, por desinformação e, até mesmo, por ingenuidade.

Hoje, é fácil perceber que condutas antiéticas são praticadas no cotidiano das empresas e são aceitas com certa tranquilidade. Práticas desleais, conflitos de interesse, assédio moral e tantas outras condutas equivocadas são percebidas pelas equipes, mas permanecem impunes. Muitas vezes ficam restritas às conversas de corredor porque as pessoas não encontram um canal de denúncias ou não se sentem seguras para fazer essas denúncias.

No Brasil, vivemos numa sociedade de poucos líderes que possam servir de exemplos. Na falta de um líder maior, é nas pessoas que exercem cargos de comando dentro das empresas que os novatos se espelham para discernir qual a conduta adequada para alcançar o sucesso em suas carreiras. Se esses líderes, ou chefes, não conseguem dar um bom exemplo, se agem como “antilíderes” que são obedecidos e não “seguidos”, certamente vão formar futuros chefes que vão agir da mesma forma. Assim, o ambiente de trabalho dentro das empresas se torna estressante, doentio e desmotivador. É isso que vemos publicado em inúmeros artigos, livros e revistas dedicados à gestão de pessoas.

A partir de 2001, depois do escândalo da ENRON, a sociedade se deu conta do perigo que representa a falta de ética nos negócios. Estamos vivenciando agora uma época de mudança cultural. Ela vem acontecendo de maneira lenta e gradual. Interesses pessoais não devem se sobrepor aos interesses da empresa sob pena de comprometer a sobrevivência da empresa e, portanto, a manutenção de empregos.

Investindo no desenvolvimento da consciência ética haverá, além da redução do risco do negócio, a criação de um ambiente mais saudável, onde as pessoas terão mais espaço para desenvolver suas habilidades sem medo de serem “atropeladas”. Haverá mais confiança e credibilidade, além de reduzir o custo invisível e contribuir para melhorar o ambiente ético na sociedade como um todo já que o que se aprende dentro da empresa poderá ser utilizado fora da empresa.

É também, sem excesso de otimismo, um caminho para a formação de futuras gerações mais éticas.

 

*Márcia Cristina Gonçalves de Souza é jornalista, consultora empresarial e palestrante. Autora do livro “Ética no Ambiente de Trabalho – uma abordagem franca sobre a conduta ética dos colaboradores” – Editora Elsevier/Campus – 2009

19/8/2010


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