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Wilberto Luiz Lima Junior*

Site - Qual o maior problema enfrentado por indústrias como a Klabin em face dos ambientalistas?  

Wilberto Luiz - O principal problema enfrentado pela Klabin não difere das outras empresas de papel e celulose em nosso país. É a idéia mal concebida de que as empresas do setor desmatam e poluem em seu processo produtivo, quando, na verdade, utilizam apenas florestas plantadas e têm um ótimo desempenho ambiental. Mas o problema existe e, diante dele, nos cabe sempre informar da melhor maneira possível nossas ações nesta área, mantendo uma transparência total com todas as partes envolvidas em nosso negócio a fim de esclarecermos o que e como fazemos. É preciso deixar claro para toda sociedade brasileira que a Klabin realiza suas ações de forma economicamente viável, socialmente justa e ambientalmente correta e que nosso modelo de gestão está em linha com os preceitos do desenvolvimento sustentável.

Prova disso é que a Klabin têm obtido importantes prêmios e certificações nacionais e internacionais. Em 1998, a companhia foi a primeira do setor de papel e celulose do Hemisfério Sul a conquistar a certificação do Forest Stewardship Council (FSC). Trata-se da mais respeitada e exigente certificadora florestal do mundo, cujos integrantes pertencem a ONGs como Greenpeace, WWF e Amigos da Terra, entre outros. No ano seguinte, a Klabin tornou-se a primeira empresa do mundo a obter a certificação FSC para o manejo de plantas medicinais e cadeia de custódia de fitoterápicos e fitocosméticos. Em agosto de 2005, conquistamos o selo FSC para a cadeia de custódia de produção de papelcartão e kraftliner (papéis para embalagens), sendo a primeira e única empresa do mundo a obter esta certificação conjunta. E agora, em 2006, a empresa obteve o certificado FSC para as cadeias de custódia de produção de papelcartão e kraftliner, em Angatuba (SP), de sacos industriais em Lages (SC) e sackraft e kraftliner (papéis para embalagens), em Correia Pinto e Otacílio Costa (SC). Com essas certificações e a obtida em 2005 pela Unidade de Monte Alegre, no Paraná, a companhia passa a ter o selo FSC para todas as cadeias de custódia de produção de papéis e cartões de fibras virgens.

Site - O que significa sustentabilidade para a Klabin?

Wilberto Luiz - A Klabin tem um compromisso histórico com o desenvolvimento sustentável, conceito que seguimos na prática em todas as nossas atividades. Como disse, esta postura tem garantido à empresa reconhecimento e premiações nacionais e internacionais. Sustentabilidade é o equilíbrio entre os eixos ambiental, econômico e social e a Klabin é uma das pioneiras no País na adoção e prática desse conceito. Um exemplo prático de nosso compromisso é a nossa Política de Sustentabilidade, que diz o seguinte:

A Klabin S.A. é uma empresa que produz madeira, papéis e cartões para embalagem, embalagens de papelão ondulado e sacos. Atua nos mercados interno e externo e se fundamenta nos seguintes princípios de sustentabilidade para todas as atividades relativas aos seus produtos e serviços:

1. Buscar a qualidade competitiva, visando à melhoria sustentada dos seus resultados, aperfeiçoando continuamente os processos, produtos e serviços, para atender às expectativas dos clientes, funcionários,
acionistas, comunidade e fornecedores.
2. Assegurar o suprimento de madeira plantada para as suas unidades industriais, de forma sustentada, sem agredir os ecossistemas naturais associados.
3. Praticar e promover a reciclagem de fibras celulósicas em sua cadeia produtiva.
4. Evitar e prevenir a poluição através da redução dos impactos ambientais relacionados a efluentes hídricos, resíduos sólidos e emissões atmosféricas.
5. Promover o crescimento pessoal e profissional dos seus colaboradores e a busca da melhoria contínua das condições de trabalho, saúde e segurança.
6. Praticar a Responsabilidade Social com foco nas comunidades onde atua.
7. Atender à legislação e normas aplicáveis ao produto, meio ambiente, saúde e segurança.

Site - A Klabin mantém um trabalho de gestão da ética nos negócios e na empresa?

Wilberto Luiz - Temos uma grande preocupação com este assunto e em permear uma cultura e política de ampla transparência com nossas partes interessadas em todas as comunidades onde estamos presentes. Temos como objetivo constante praticar transparência com o mercado, promover o efetivo entendimento de quais valores a empresa privilegia com o público interno e externo nas suas relações, e promover um ambiente positivo e sadio com a cadeia produtiva. Somos comprometidos também em atender a evolução das normas e condutas éticas, e em sermos uma referência no mercado, atuando de acordo com os princípios de nossa Política de Sustentabilidade.

Gostaria de lembrar que a Klabin é, desde 1979, uma empresa aberta e é desde dez/2002, nível 1 de Governança Corporativa.

Site - Há muitas empresas que adotam códigos de ética e consideram este item muito importante na gestão da ética. Outras entendem que a ética deve permear todas as ações da companhia, como a governança corporativa, meio ambiente, responsabilidade social, sustentabilidade etc. Qual a perspectiva da Klabin em relação a esses temas?

Wilberto Luiz - Acreditamos que a ética deve permear todas as ações da companhia e, como disse anteriormente, procuramos uma gestão ética em relação a todos os públicos com quem lidamos. Como empresa líder em todos os setores que atuamos, temos convicção de que somos referência para vários fornecedores e parceiros e temos um potencial expressivo em impactar a maneira de pensar e agir de outras empresas no mercado. 

Site - Que certificações existem na área do meio ambiente e como a Klabin conseguiu conquistá-los?

Wilberto Luiz - Como disse anteriormente, a Klabin foi a primeira empresa do setor de papel e celulose das Américas a ter, em 1998, suas florestas certificadas pelo FSC (Forest Stewardship Council), mais exigente organização certificadora do mundo, confirmando que a empresa desenvolve suas atividades dentro dos mais elevados padrões de conservação ambiental e de sustentabilidade socioeconômica. Hoje, temos o selo FSC para quase 100% de nossas florestas, para a cadeia de produção de papéis e cartões para embalagens e de sacos industriais. Somos também a primeira empresa brasileira a ser premiada pela organização internacional Rainforest Alliance como “empresa criadora de tendências de desenvolvimento sustentável”, em razão do manejo de nossas florestas do Paraná, SC e SP.
A Klabin também foi a primeira empresa brasileira a entrar na bolsa de créditos de carbono de Chicago (CCX) para comercializar créditos de carbono com instituições de todo o mundo que precisam limitar a emissão de gás carbônico. Desde junho 2005, a companhia possui o status de Full Membership com o compromisso espontâneo de redução de emissões de gases de efeito estufa.
A companhia tem obtido as mais importantes certificações industriais, atestados idôneos do atendimento aos requisitos da norma em análise. Os Sistemas de Gestão são certificados com reconhecimento internacional, utilizados nas melhores companhias do mundo para a adequação e avaliação de desempenho de qualidade, meio ambiente, segurança e saúde ocupacional. Ao empregar tecnologias de ponta e estratégias de gerenciamento bem definidas, a Klabin integra este seleto grupo, destacando-se continuamente no cenário nacional e mundial. Temos o certificado de Gestão Ambiental ISO 14001, que evidencia a postura ambiental adotada pela Klabin de bom gerenciamento dos recursos naturais, minimizando os impactos e garantindo a preservação do meio ambiente. Recentemente obtivemos a certificação OHSAS 18001 (Occupactional Health and Safety Assessment Series), que leva em conta as rígidas normas internacionais de Gestão de Saúde Ocupacional e Segurança (SSO).
Outro quesito importante diz respeito à nossa matriz energética, fortemente baseada em recursos renováveis ou “energia verde”, que melhorará ainda mais com a expansão prevista no uso de biomassa na geração de vapor e energia elétrica para o processo produtivo.

Tudo isso se resume na postura que adotamos.

Site - O senhor concorda que o grande eixo das preocupações dos ambientalistas deve ser a pessoa humana com suas características de ser único, insubstituível, irrepetível, incomparável? Como manter esta preocupação sem desviar o eixo para aspectos institucionais e lucrativos?

Wilberto Luiz - A trajetória de 107 anos tem nos mostrado que é possível compatibilizar as dimensões sociais, ambientais e econômicas com bons resultados. Dentre vários projetos da Klabin voltados para o desenvolvimento humano, destaco o Programa Qualidade de Vida
que visa à saúde física e mental dos colaboradores incentivando uma relação harmoniosa entre a vida profissional e pessoal. As ações englobam medicina ocupacional preventiva, atividades físicas com foco na integração dos colaboradores com seus colegas e terapias alternativas. Inicialmente o projeto foi lançado nos escritórios localizados na cidade de São Paulo, mas o objetivo é estender o programa às outras unidades da empresa.
Temos também o Projeto Fitoterapia, que promove o uso múltiplo racional e sustentado dos recursos naturais disponíveis e reforça o posicionamento de sustentabilidade da empresa, atestando que a atividade florestal pode diversificar-se, sem prejuízo de seus objetivos básicos, pelo investimento no homem e no meio ambiente. O projeto fez o inventário de 240 espécies, das quais 130 apresentaram potencial interesse terapêutico, de onde são produzidos cerca de 50 produtos intermediários. O laboratório de manipulação produz cerca de 30 produtos básicos (fitoterápicos) que são utilizados pela equipe de saúde da empresa em Telemaco Borba , no Paraná .Concebido para colaboradores e seus familiares, o programa direciona atendimento para cinco doenças básicas, que representam praticamente metade de todos os problemas de saúde apresentados: gripes e resfriados, ferimentos e lesões de pele, dispepsias, diarréia e hipertensão arterial leve. Temos ainda a Terra Viva Associação de Voluntários, cuja missão é a de promover ações de assistência social que diminuam as carências de pessoas menos favorecidas e, ao mesmo tempo, de conscientizar a comunidade sobre a importância do trabalho voluntário, um grupo de colaboradores da Klabin criou a Terra Viva Associação de Voluntários em outubro de 2003. Ela foi transformada em ONG em 2005, e hoje conta com 270 voluntários. Os programas que citei são bons exemplos de como a Klabin valoriza seus colaboradores contribuindo para o desenvolvimento do capital social e humano das comunidades onde está presente.

Site - Há possibilidades de a Klabin instituir parcerias com as empresas que trabalham, por exemplo, com papel reciclado?

Wilberto Luiz - Somos os maiores recicladores de papel da América Latina e temos interesse em estudar parcerias que possam promover o desenvolvimento sustentável nas comunidades onde estamos presentes. Essa filosofia faz parte do modelo de gestão da Klabin, e a reciclagem é fundamental dentro deste processo. Como exemplo, lembro que Klabin, Tetra Pak, Alcoa e TSL Ambiental investiram em uma planta com nova tecnologia para reciclagem de embalagens longa vida. A planta foi inaugurada em maio de 2005, na cidade de Piracicaba, em São Paulo, e é a primeira do mundo ao fazer uso da tecnologia pioneira do Plasma para separar o alumínio e o plástico que compõem a embalagem cartonada. O processo revoluciona o modelo atual de reciclagem das embalagens longa vida, que até então separava o papel e mantém o plástico e o alumínio unidos, para depois transformá-los em peças e utensílios como vassouras, placas e telhas. O processo de Plasma chega como mais uma opção de reciclagem, permitindo a completa separação dos três componentes da embalagem que voltam para a cadeia produtiva como matéria-prima. O projeto foi desenvolvido com o objetivo de estimular a reciclagem das embalagens longa vida pós-consumo. Tem como premissa a valorização da cadeia de reciclagem como forma de gerar emprego e renda, ao mesmo tempo evita que toneladas de material plástico e alumínio sigam para aterros industriais. A expectativa é de um aumento de 30% no valor pago às cooperativas de catadores. A tecnologia já está sendo exportada para vários países europeus.

Site - As ações adotadas pela Klabin relacionadas com ética, governança corporativa, meio ambiente, responsabilidade social, sustentabilidade, trouxeram alguma vantagem competitiva, ou de algum modo ajudaram no aumento dos lucros da empresa?

Wilberto Luiz - Evidentemente, nossa postura de sustentabilidade trouxe e continua trazendo bons frutos para a Klabin. Dentre eles destaco a abertura de novos mercados, a fidelização de clientes, a atração e retenção de novos talentos, o fortalecimento da marca Klabin, o valor das ações da empresa na bolsa de valores e um melhor relacionamento com nossas partes interessadas. Somente para dar um exemplo, a crescente conscientização do público sobre a destruição e degradação das florestas tem levado consumidores de vários países a exigir que suas compras de madeira e outros produtos da floresta não contribuam para esta destruição, mas ajudem a assegurar os recursos florestais para o futuro. A certificação, pelo FSC, das florestas plantadas, resultou, no Brasil, no aperfeiçoamento do manejo das florestas plantadas, com benefícios sociais, econômicos e ambientais, com efeito multiplicador. A Klabin orgulha-se de ter sido pioneira nestes quesitos e acredita que o reconhecimento que vem obtendo nacional e internacionalmente é a maior prova de que trilhamos o caminho correto.

Quanto ao aumento dos lucros, não há reflexo direto ainda, pela adoção de todos esses quesitos. Mas, acreditamos que o mercado consumidor vai se tornar cada vez mais demandante nesse sentido. Então, mais uma vez, a Klabin estará preparada para esse futuro.


Wilberto Luiz Lima Junior, 57 anos, bacharel em administração.  MBA - Gestão Empresarial - Amana Key (1990).  MBA - Gestão de Negócios - Fundação Dom Cabral (2000).  Communications Strategy - Kellog Institute, Northwestern University - USA (1996).  Marketing Communications - School of Business Administration, Michigan University - USA (1995). Diretor de Comunicação e Responsabilidade Social da Klabin S.A. ,desde maio/2002. É Coordenador do Grupo de Comunicação da BRACELPA (Associação Brasileira de Celulose e Papel).  É  Membro do Conselho do Instituto Brasileiro de Saúde Ocular Helen Keller e Membro do Conselho da organização não governamental Instituto Pró-Natura. Membro do Comitê de Corporate Affairs da Câmara Americana de Comércio de São Paulo
22/5/2006


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